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🌀 Janeiro Branco: o sujeito do inconsciente e a escuta em Lacan

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  O Janeiro Branco propõe um tempo de pausa e reflexão sobre a saúde mental. Para a psicanálise lacaniana, esse convite não se dirige ao ideal de bem-estar, mas ao sujeito do inconsciente , marcado pela falta e pelo desejo. Lacan nos alerta que o sujeito é barrado, dividido pelo significante, e que o sintoma não é mero mal-estar a ser curado, mas o retorno do Real que escapa ao imaginário da adaptação social. Assim, em vez de promessas de equilíbrio, o Janeiro Branco poderia interrogar o gozo mortífero da civilização contemporânea, onde o hiperconsumo digital tapa a falta constitutiva com ilusões efêmeras de completude. A ideia de “folha em branco” pode ser questionada: para Lacan, o sujeito nunca começa do zero. Ele é efeito da linguagem, atravessado por significantes que o antecedem. O sofrimento psíquico aparece justamente quando algo do real insiste e não encontra lugar no discurso. Na contemporaneidade, marcada pelo imperativo da felicidade e do desempenho, o sintoma tende a s...

Traumas Silenciosos: Quando Não Há Lembrança, Mas Há Dor

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Você já sentiu um aperto no peito sem motivo aparente? Uma ansiedade que surge do nada em um domingo ensolarado? Ou talvez uma dificuldade crônica em confiar, mesmo quando a pessoa à sua frente nunca lhe deu razões para dúvida?     Você finge normalidade, mas algo range no peito como engrenagem quebrada – um aperto sem motivo, ansiedade do nada, relações que ruem sem  porquê , pois, n em toda dor grita com cena ou imagem; às vezes, falta até a lembrança, e ainda assim o corpo pesa, adoece sem causa, trai com medos difusos e vazios que ecoam , m uitas vezes, buscamos a causa do nosso sofrimento em fatos narráveis: uma demissão, um término, um luto. Mas existe um tipo de dor muito mais insidioso. É a dor que  não tem nome, não tem imagem e, curiosamente, não tem lembrança , mas p or que insiste em justificar tudo com histórias narráveis, quando o inconsciente repete o indizível no sintoma, nos sabotadores diários?   A psicanálise nos convida a desconfiar da ideia ...

O “Lado B” das Redes Sociais: Filtros de rosto, vazio de alma: a dismorfia digital e o olhar do Outro na fragmentação do eu

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Nunca foi tão fácil se olhar  e  da mesma forma,  nunca foi tão difícil se reconhecer. As redes sociais nos oferecem um espelho permanente, polido por filtros, ângulos e algoritmos. Um espelho que não apenas reflete, mas corrige, suaviza e promete uma versão “melhor” de nós mesmos. Mas o que retorna , o que  acontece,  quando  olhamos demais para esse reflexo? Talvez não seja o rosto que esteja distorcido, mas o ego que já não se sustenta sem a aprovação externa , pois a  distorção não está na carne, mas na alma: o ego, medicado por dopamina virtual, esquece de se sustentar por si. É por isso que cirurgias plásticas inspiradas em filtros explodem – não corrigem o corpo, mas tentam reconquistar o Olhar do Outro  e e ssa inversão ,  a   do  rosto para o ego ,  questiona  se  estamos treinando o inconsciente para uma existência algorítmica? Sem aprovação externa, o que resta do desejo autêntico? Experimente: delete ...