🌀 Janeiro Branco: o sujeito do inconsciente e a escuta em Lacan
O Janeiro Branco propõe um tempo de pausa e reflexão sobre a saúde mental. Para a psicanálise lacaniana, esse convite não se dirige ao ideal de bem-estar, mas ao sujeito do inconsciente , marcado pela falta e pelo desejo. Lacan nos alerta que o sujeito é barrado, dividido pelo significante, e que o sintoma não é mero mal-estar a ser curado, mas o retorno do Real que escapa ao imaginário da adaptação social. Assim, em vez de promessas de equilíbrio, o Janeiro Branco poderia interrogar o gozo mortífero da civilização contemporânea, onde o hiperconsumo digital tapa a falta constitutiva com ilusões efêmeras de completude. A ideia de “folha em branco” pode ser questionada: para Lacan, o sujeito nunca começa do zero. Ele é efeito da linguagem, atravessado por significantes que o antecedem. O sofrimento psíquico aparece justamente quando algo do real insiste e não encontra lugar no discurso. Na contemporaneidade, marcada pelo imperativo da felicidade e do desempenho, o sintoma tende a s...