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Dependência emocional: o que a Psicanálise explica?

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  Dependência emocional é quando uma pessoa precisa excessiva e cronicamente do outro, seja este outro um parceiro, amigo, familiar,..., para sentir segurança, autoestima ou bem‑estar, ou ainda mesmo sendo de várias formas independente precisa do outro para se sentir inteira, como se aquele outro a completa-se.  Sentir-se conectado e valorizar o outro é saudável e faz parte da nossa natureza social, entretanto, quando essa conexão se transforma em uma necessidade vital — onde a própria existência parece depender da aprovação, da presença ou do humor de outra pessoa —, entramos no terreno doloroso da dependência emocional . Muitas vezes, a dependência é tratada de forma superficial como "falta de amor-próprio" ou "carência", como se o dependente emocional quisesse estar desta forma, porém, se olharmos através das lentes da Psicanálise , descobrimos que as raízes desse comportamento são muito mais profundas e revelam histórias que o nosso consciente tenta, a todo cust...

O luto não é só sobre a morte: perdas de emprego, relacionamentos e fases da vida

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Luto é o processo de elaborar qualquer perda significativa, não apenas a morte. Perdas que mexem com vínculos, papéis e narrativas de vida, perdas como demissão, término, aposentadoria, mudança de cidade  ativam trabalho psíquico semelhante: dor, reorganização da energia libidinal e reinvenção de sentido. Por que essas perdas ferem Ruptura de vínculo: algo ou alguém que sustentava investimentos afetivos deixa de estar disponível, exigindo retirada e reorientação da libido. Quebra de identidade e narrativa: papéis (profissional, parceiro, parental) estruturam a história do eu; sua perda cria vazio que precisa ser simbolizado. Vulnerabilidade narcísica: quando o valor pessoal está atrelado ao objeto perdido, a ferida é maior e o risco de depressão aumenta. Como o olhar psicanalítico ajuda Freud: distingue luto saudável de melancolia; destaca o trabalho de desapego. Klein: mostra como fantasias inconscientes (culpa, perseguição) entram em cena e complicam o luto. Winnicott: aponta a i...

🌀 Janeiro Branco: o sujeito do inconsciente e a escuta em Lacan

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  O Janeiro Branco propõe um tempo de pausa e reflexão sobre a saúde mental. Para a psicanálise lacaniana, esse convite não se dirige ao ideal de bem-estar, mas ao sujeito do inconsciente , marcado pela falta e pelo desejo. Lacan nos alerta que o sujeito é barrado, dividido pelo significante, e que o sintoma não é mero mal-estar a ser curado, mas o retorno do Real que escapa ao imaginário da adaptação social. Assim, em vez de promessas de equilíbrio, o Janeiro Branco poderia interrogar o gozo mortífero da civilização contemporânea, onde o hiperconsumo digital tapa a falta constitutiva com ilusões efêmeras de completude. A ideia de “folha em branco” pode ser questionada: para Lacan, o sujeito nunca começa do zero. Ele é efeito da linguagem, atravessado por significantes que o antecedem. O sofrimento psíquico aparece justamente quando algo do real insiste e não encontra lugar no discurso. Na contemporaneidade, marcada pelo imperativo da felicidade e do desempenho, o sintoma tende a s...

Traumas Silenciosos: Quando Não Há Lembrança, Mas Há Dor

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Você já sentiu um aperto no peito sem motivo aparente? Uma ansiedade que surge do nada em um domingo ensolarado? Ou talvez uma dificuldade crônica em confiar, mesmo quando a pessoa à sua frente nunca lhe deu razões para dúvida?     Você finge normalidade, mas algo range no peito como engrenagem quebrada – um aperto sem motivo, ansiedade do nada, relações que ruem sem  porquê , pois, n em toda dor grita com cena ou imagem; às vezes, falta até a lembrança, e ainda assim o corpo pesa, adoece sem causa, trai com medos difusos e vazios que ecoam , m uitas vezes, buscamos a causa do nosso sofrimento em fatos narráveis: uma demissão, um término, um luto. Mas existe um tipo de dor muito mais insidioso. É a dor que  não tem nome, não tem imagem e, curiosamente, não tem lembrança , mas p or que insiste em justificar tudo com histórias narráveis, quando o inconsciente repete o indizível no sintoma, nos sabotadores diários?   A psicanálise nos convida a desconfiar da ideia ...

O “Lado B” das Redes Sociais: Filtros de rosto, vazio de alma: a dismorfia digital e o olhar do Outro na fragmentação do eu

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Nunca foi tão fácil se olhar  e  da mesma forma,  nunca foi tão difícil se reconhecer. As redes sociais nos oferecem um espelho permanente, polido por filtros, ângulos e algoritmos. Um espelho que não apenas reflete, mas corrige, suaviza e promete uma versão “melhor” de nós mesmos. Mas o que retorna , o que  acontece,  quando  olhamos demais para esse reflexo? Talvez não seja o rosto que esteja distorcido, mas o ego que já não se sustenta sem a aprovação externa , pois a  distorção não está na carne, mas na alma: o ego, medicado por dopamina virtual, esquece de se sustentar por si. É por isso que cirurgias plásticas inspiradas em filtros explodem – não corrigem o corpo, mas tentam reconquistar o Olhar do Outro  e e ssa inversão ,  a   do  rosto para o ego ,  questiona  se  estamos treinando o inconsciente para uma existência algorítmica? Sem aprovação externa, o que resta do desejo autêntico? Experimente: delete ...